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A pétala, a flor, o lago, o éter

Atualizado: 20 de ago. de 2025


Aonde o Amor me leva? (Pois só ele sabe meu destino)

Meu barco, as vezes navio, se atraca em terras firmes com suas cargas vazias.

Suas formas, alturas e cores e nomes, números

Coleciona falsos pesos de que se aferra.

Mas o Amor, aonde o Amor me leva, só Ele sabe o destino e o peso.


Quando o Amor quisera, era ínfimo e amarelo 

como a pétala que desabrocha e murcha

E disto,

abriu-se o infinito em mim!


O peso da flor era quase nada 

e nenhum navio consegue abarcar sua intensidade exaltada.


Como guardar a pétala ou a memória? 

Nem com cargas vazias


Nossos destinos, a pétala e eu, se cruzaram, foi ela quem me fez abandonar o barco

E querer o destino ( Aonde o Amor me leva)


O destino é água (diz-se oceano)

Nela, eu me deito entregue de cabelos e mãos

Preciso das mãos, é tátil o Amor

A pele, torna possível  o Amor ser espraiado.

Em suas ondas de rádio, surgem caramujos flutuantes (diz-se caixinhas de som)

São dispositivos de melhor ouvir

Elas entregam ouvidos ao mergulhado

E eu, O desejo como som.


Existe um fio no som ( do Amor) 

Ele se desenrola como um novelo,

ou como aquele papelzinho que o passarinho entrega a mensagem.

Ele não mais está preso na gaiola vazia

O peso da gaiola é vazio, 

e o fio, é um canto

onde ali, se encontra escrito o meu destino. 

Foi o Amor quem lá escreveu. (Aonde o Amor me leva?)

Em meio aos carros que rasantes rasos pensam dirigir seus destinos,

O Amor das águas navegantes (diz-se oceano), refulge numa poça d’água à beira da estrada.

Uma poça rasa de lama, ali flores silvestres improváveis, perduram no instante raso; o profundo

Por quê não sei porque

Mas ali, eu vi escrito o Teu Nome! (aquelas flores eram esferas de mundos no éter)


É assim que me levas?

Improvável, inexplicável

Rasa, profunda

Vazia e plenificada

Pétala, flor

Em sobressalto de doçura

E no éter rendida?


De Ti, recebo a pétala e quero dar-Te a flor inteira, a árvore inteira é o ramalhete que quero dar-Te!

De Ti recebo a poça improvável 

E quero dar-Te o lago, o mar

Os oceanos todos transbordando eu quero dar-Te


Não obstante,

é sempre menos dar-Te,

A gota que recebo de Ti  

A gota que recebo de Ti abre em mim o infinito 


e o meu destino?


O meu destino é amar-Te, simples assim.


Krishna






 
 
 

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