A pétala, a flor, o lago, o éter
- fiatluxmkt
- 10 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de ago. de 2025

Aonde o Amor me leva? (Pois só ele sabe meu destino)
Meu barco, as vezes navio, se atraca em terras firmes com suas cargas vazias.
Suas formas, alturas e cores e nomes, números
Coleciona falsos pesos de que se aferra.
Mas o Amor, aonde o Amor me leva, só Ele sabe o destino e o peso.
Quando o Amor quisera, era ínfimo e amarelo
como a pétala que desabrocha e murcha
E disto,
abriu-se o infinito em mim!
O peso da flor era quase nada
e nenhum navio consegue abarcar sua intensidade exaltada.
Como guardar a pétala ou a memória?
Nem com cargas vazias
Nossos destinos, a pétala e eu, se cruzaram, foi ela quem me fez abandonar o barco
E querer o destino ( Aonde o Amor me leva)
O destino é água (diz-se oceano)
Nela, eu me deito entregue de cabelos e mãos
Preciso das mãos, é tátil o Amor
A pele, torna possível o Amor ser espraiado.
Em suas ondas de rádio, surgem caramujos flutuantes (diz-se caixinhas de som)
São dispositivos de melhor ouvir
Elas entregam ouvidos ao mergulhado
E eu, O desejo como som.
Existe um fio no som ( do Amor)
Ele se desenrola como um novelo,
ou como aquele papelzinho que o passarinho entrega a mensagem.
Ele não mais está preso na gaiola vazia
O peso da gaiola é vazio,
e o fio, é um canto
onde ali, se encontra escrito o meu destino.
Foi o Amor quem lá escreveu. (Aonde o Amor me leva?)
Em meio aos carros que rasantes rasos pensam dirigir seus destinos,
O Amor das águas navegantes (diz-se oceano), refulge numa poça d’água à beira da estrada.
Uma poça rasa de lama, ali flores silvestres improváveis, perduram no instante raso; o profundo
Por quê não sei porque
Mas ali, eu vi escrito o Teu Nome! (aquelas flores eram esferas de mundos no éter)
É assim que me levas?
Improvável, inexplicável
Rasa, profunda
Vazia e plenificada
Pétala, flor
Em sobressalto de doçura
E no éter rendida?
De Ti, recebo a pétala e quero dar-Te a flor inteira, a árvore inteira é o ramalhete que quero dar-Te!
De Ti recebo a poça improvável
E quero dar-Te o lago, o mar
Os oceanos todos transbordando eu quero dar-Te
Não obstante,
é sempre menos dar-Te,
A gota que recebo de Ti
A gota que recebo de Ti abre em mim o infinito
e o meu destino?
O meu destino é amar-Te, simples assim.
Krishna


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